Você, leitor, deve estar se perguntando, o porquê deste tema num artigo técnico. Escolhi este título porque realmente é hora de despertar...
Nossa indústria flexográfica precisa despertar para a organização, o controle e a redução de custos e, desta maneira, fortalecer as nossas empresas, o nosso mercado e a flexografia!
Ainda a maneira mais utilizada pelo mercado para reduzir custos é, infelizmente, "apertar" os fornecedores, mas essa atitude não vai muito além. De onde o fornecedor reduzirá seu custo sem mexer na matéria-prima?
Insumos de baixa qualidade significam perdas no produto final. Perda de qualidade, de produtividade, de rendimento, entre outras possibilidades. Temos muitas horas perdidas com set upe uma das maiores dificuldades da flexografia é repetir o mesmo pedido, nos mesmos padrões... Então, por onde começamos?
Vamos começar pela configuração das máquinas e por aquilo que considero o coração da flexografia: os cilindros anilox. Eles são os responsáveis pela entintagemna impressão flexográfica. Catalogar os cilindros anilox, apontando data da compra, lineatura, BCM, fabricante, tipo de gravação, e deixar espaço para colocar as datas das regravações são ações fundamentais para a organização. Então, por que ter cada aniloxde uma lineaturae de um BCM diferente? Por que não cuidar devidamente da limpeza desses cilindros anilox? Isso faz toda a diferença!
Sugiro às convertedoras, interessadas em melhorar seus processos, que repensem uma padronização dos cilindros anilox. Iguais lineaturase BCMs - coloquem-os em três condições: aniloxde cromia, de chapado e de meio tom – 3 tipos de aniloxiguais em lineaturae BCM.
É fundamental somar a isso à limpeza diária dos cilindros anilox, além de uma limpeza profunda a ser feita periodicamente. O ideal é que eles entrem sempre limpos, na mesma condição, a cada pedido. Com isso o impressor tem a certeza de que o cilindro transferirá a mesma quantidade de tinta e, assim, fica mais fácil configurar as máquinas para rodar os pedidos.
Mas, igualmente, as tintas são muito importantes! O que fazer então?
Escolher um fornecedor! É muito mais fácil e barato, ao contrário do que muitos pensam! Veja o que orientamos:
Controle vários itens importantes nas tintas durante o processo de impressão: a seqüência de cores (repeti-las), viscosidade, densidade e o ganho de ponto.
Anote tudo isso numa ficha de produção de cada item (depois, é só incluir na mesma ficha do padrão do cliente).
Para adotar esse procedimento, as empresas precisam começar a reservar um espaço no canto da embalagem ou mesmo na área de refile ou, ainda, dentro do cameron, para colocar os steps, pois somente por meio deles se mede e, assim, se controla a condição da tinta e o ganho de ponto.
Note nas embalagens cartonadas e de longa vida que todas elas têm os steps nas abas. Observe também que as embalagens sempre estão todas iguais, os tons iguais, as reproduções iguais. Se não possuíssem esses steps, isso não seria possível.
Range de Densidades:
CYAN: 1,20-1,30
YELLOW: 0,90-1,10
MAGENTA: 1,20-1,30
PRETO: 1,40-1,50.
Um passo importante e extremamente necessário é a aquisição, pelas convertedoras, de aparelhos de densitometria para fazer as medições das tintas e ganho de ponto no ajuste e durante o pedido.
Não é um investimento caro. É um equipamento de fácil manuseio, leve e de pouca manutenção. É preciso medir para que o ato de tirar um pedido seja numérico. Isso mesmo, numérico!
Sem a medição, acertar um pedido fica praticamente no visual. E isso também é muito risco. Escalas e steps nas embalagens nos possibilitam medir a densidade e o ganho de ponto. Depois disso é só acertar o registro e pronto.
O que as clicherias e as áreas de pré-impressão podem fazer por suas empresas para reduzir custos? Muito! É hora de padronizar, também, a pré-impressão. Considerando que os pedidos estão cada vez menores e o número de itens, maiores, temos que conjugar. E conjugar sem estresse e perdas, seja de aparas, seja de qualidade.
Isso é possível! Com cilindros aniloxe tintas padronizados fica mais fácil agora. Por meio de um "test form", ou "finger print" completo, que a clicheria reproduz com os diversos parâmetros importantes de impressão do cliente, este deve imprimi-lo em cada impressora e em cada tipo de substrato.
A partir desta impressão, com um aparelho espectofotômetro e aferido, a clicheria faz todas as medições de ganho de ponto, de trappings, leitura de ICC (padronização de cores com o cliente – International Color Consortium) para calibração de provas, espessura de frisos, letras positivas e negativas, leitura de código de barras, tons de gris, distorção dos cilindros, entre outras.
Gera-se com isso uma planilha de dados e uma calibração em seu sistema com os dados do cliente.
Com esses dados, a clicheria está apta a calibrar uma prova contratual, seja uma prova digital, uma prova GMG, ou qualquer outra prova digital, ou até mesmo partir para a aprovação remota, desde que se tenham os equipamentos necessários. Ela deve se destinar ao cliente, primeiramente, para que ele veja uma prova bem próxima da embalagem que irá imprimir, diminuindo assim as probabilidades de devolução e dando segurança ao processo. Uma via da prova deve se destinar também ao impressor que, juntamente à medição das densidades e do ganho de ponto no ato do ajuste, está apto a aprovar e rodar o pedido com segurança. Desta mesma forma, cada clichê gravado estará com as características específicas do cliente e de sua máquina para que se tenha a melhor reprodução possível conforme a prova contratual entregue e aprovada.
Devemos tomar o cuidado com a laminação, pois, neste caso, devem-se ter duas provas contratuais expedidas: uma antes da laminação para o impressor e outra laminada para o cliente aprovar. São calibrações diferentes, captadas por meio do "test form" nos diferentes substratos.
Desta forma também se consegue trabalhar com o hexacromo (CMYK + laranja/orange+ verde/green), abrangendo 90% das cores existentes. O que seria trabalhar com hexacromo? Trata-se de trabalhar as cromias em 3 cores (CMY) ou 4 cores (CMYK) e usar o laranja e o verde para compor os pantones e tons e, assim, reduzir fortemente a necessidade de se usar Pantones.
Imagine se dessa forma passarmos a ter 10 tipos/cores de tintas no estoque? O que isso significa? Redução de custos e melhoria do controle. Trabalhar com hexacromo + Branco significa um benefício muito grande da produtividade, devido ao ganho de setupe eliminação das perdas de tintas. Além de acabar com o problema de "pedido pequeno versus alto custo de clichê". A Flexografia ficará ainda mais forte e competitiva.
Vimos na Drupa 2008 muita tecnologia na área dos softwares para pré-impressão, impressora com setupscurtíssimos, máquinas altamente sofisticadas. Um panorama que nos mostra a necessidade de mudar a nossa cultura e nos preparar para este futuro de velocidade, qualidade e competência, necessidade de pensar em CUSTOS de maneira global, ter os parceiros fornecedores ao lado e focar produção, processos e padronização.
Temos um longo caminho, mas, se percorrermos um pouco a cada dia, atingiremos com consistência e rapidez nosso destino ideal.
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Por Ana Carina Marcussi, Gerente Comercial da divisão Banda Larga/ Flexíveis do Grupo FURNAX Administradora de Empresas e, Presidente da ABFLEXO/FTA-BRASIL





